O governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), irmão do ex-ministro Ciro Gomes, pediu desculpas, ontem, pelo “constrangimento” causado ao povo cearense envolvendo o episódio da “carona” que ele deu à sogra dele, Pauline Carol Habib Moura, para a Europa. A viagem, que durou dez dias, aconteceu no carnaval deste ano e foi feita em um jatinho fretado por R$ 388, 5 mil pagos com dinheiro público. Ele, no entanto, sustentou não ter cometido nenhum ato ilegal ou imoral. E que só pagaria pela carona da sogra se os órgãos de controle do Estado julgarem que ele errou. “Eu peço desculpas pelo constrangimento que essa questão causou ao povo cearense. É por isso que eu peço desculpas. Não me consta que eu tenha cometido nenhuma ilegalidade. Não se aponta nenhuma lei, nenhuma regra que eu tenha descumprido”, afirmou Cid. Os explicações sobre a viagem foram durante coletiva à imprensa. A entrevista aconteceu na Assembléia Legislativa do Ceará, onde o governador realizou um leilão para contratar empresas para construção de duas casas de detenção provisória. Esta foi a primeira vez que ele falou sobre o assunto. É que quando a denuncia se tornou pública, na semana passada, o governador estava numa outra viagem, desta vez, para a Ásia em avião de carreira sem a mulher e sem a sogra. Ele voltou de viagem sábado à noite. O evento na Assembléia foi o primeiro ato público do qual participou. Cid disse ter agido de boa fé. Alegou que não houve nenhum custo ou despesa extra com a carona dada à sogra e às esposas de dois assessores dele, que também estavam no avião. “O vôo é cobrado por quilômetro e não por número de passageiros. As despesas pessoais da mãe de minha esposa e dos demais passageiros, que não cumpriam missão oficial, bem como suas hospedagens não foram pagas com dinheiro público e, portanto, nada custaram ao Estado”, sustentou. Para justificar a “boa fé”, o governador afirmou ser este um ato corriqueiro no meio público. “Eu por diversas vezes presenciei pessoas estranhas ao governo andarem em equipamentos oficiais. No Ceará e fora do Ceará. Então, não me consta que eu tenha cometido nenhum ato ilegal ou imoral”. E revelou: “Eu pessoalmente por diversas vezes - não vou dizer, não sou delator - já viajei sem integrar os quadros do governo do Estado em avião do governo do Estado. Em outras ocasiões. Eu pessoalmente”. Cid também expressou seu espanto e se disse constrangido diante da repercussão que o episódio ganhou e se queixou da atenção, segundo ele, desproporcional dada ao assunto.
FONTE:TN
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