segunda-feira, 26 de abril de 2010

Alta dos juros deve elevar calote no país

Dois fenômenos influenciam a percepção de que a inadimplência poderá voltar a crescer: o número de pessoas endividadas aumentou e o cenário dos juros começou a mudar.

A procura por financiamento, segundo a Serasa, bateu recorde no mês passado na comparação com fevereiro – porque março tem mais dias que fevereiro e porque o consumidor se apressou para aproveitar a isenção de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) de automóveis, móveis e linha branca. Em relação a fevereiro do ano passado também houve um crescimento histórico.

No outro extremo, o Banco Central deve começar a elevar sua taxa de juros – a Selic, que serve de referência para o estabelecimento das taxas cobradas no mercado – neste mês. Isso deve afetar o bolso de quem tem financiamentos com taxas pós-fixadas, como cartão de crédito por exemplo.
Segundo o boletim Focus, relatório de mercado divulgado pelo Banco Central, a taxa deve subir dos atuais 8,75% ao ano para 9,25%. A reunião ocorre nesta próxima quarta-feira (28) e se as previsões forem confirmadas, a tendência é que os bancos já repassem o aumento para o consumidor por meio das taxas de juros dos financiamentos.

Para o gerente de indicadores de mercado da empresa de análise de crédito Serasa, Luiz Rabi, o efeito dessa mudança, no entanto, não será uma interrupção acentuada na demanda por crédito nem uma disparada na inadimplência: os dois movimentos no crédito serão moderados.

- O BC inclusive vai elevar os juros para conter o aumento do crédito, que vinha avançando a 120 km/h. A demanda vai continuar a crescer, mas em ritmo menor; o mercado de trabalho vai continuar a se expandir. O que vai haver é um reajuste.
R7

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